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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O que a menstruação tem a ver com pesadelos?

A pesquisa é da University of the West of England e conclui que as mulheres tendem a ter mais pesadelos e sonhos emotivos do que os homens. A responsável pela pesquisa, Jennifer Parker, adianta que o ciclo menstrual pode ser o grande culpado por essas manifestações, porque este é um período em que a temperatura do corpo fica alterada. Além desses dados, que particularmente me chamaram a atenção, há outros que valem a pena passar pela avaliação de quem acompanha este blog.

O acesso é:

http://minhavida.uol.com.br/materias/hotnews/Mulheres+sao+as+maiores+vitimas+dos+pesadelos.mv





Longe de mim querer contestar o estudo feito com 170 voluntários lá na Velha Albion, mas eu não ficaria mesmo quieta diante do resultado de uma pesquisa que joga no ciclo menstrual a razão de sonhos assustadores. Fiz uma enquete nada científica com as amigas e nenhuma associou os pesadelos ao período de menstruação, ainda que para muitas de nós esse período seja mesmo um “pesadelo”: cólicas, mau humor, dor nas pernas, dor de cabeça e diversos outros sintomas que, no conjunto, dão lugar à temida TPM.

Como as minhas entrevistadas não relacionaram menstruação e pesadelos, isso me deu ainda mais suporte para levantar algumas perguntas: e quem não menstrua não tem pesadelos? homens não têm esse tipo de sonho? e nos outros dias do mês, os sonhos são lindos e "bonzinhos"?

Primeiro, não existe sonho bom e sonho ruim. No meu entender, existem os sonhos que nos inquietam e os que nos trazem conforto. Os pesadelos estão na primeira categoria. São eles que nos despertam aos gritos, com palpitações, às vezes nos colocam em lágrimas e em outras, ainda, nos dão a sensação nítida de que levamos um tiro, uma facada, que matamos alguém, que nos espatifamos com o carro, que perdemos todos os dentes ou que alguém que amamos morreu.

E querem exatamente isso: acordar-nos para algo que ainda não percebemos! Assim faz o inconsciente conosco quando não damos a menor bola para o que ele vem contando. Digo que um pesadelo é como uma carta-bomba, cujo conteúdo a gente não tem mais como ignorar. Ou seja, a mensagem é esta: ei, você, não faça de conta que não está entendendo! Acorde e faça alguma coisa!

Às vezes, arrastamos situações que já venceram... um casamento, um trabalho, um grupo, uma cidade, uma casa... E por mais que sejamos inundados por sonhos que revelem nossa impotência (em mudar o que já perdeu energia) ou nossa arrogância (insistimos em levar adiante porque “sabemos” como administrar o conflito), ainda assim não acolhemos os sonhos que vêm noite após noite, até que despenquemos do mais alto precipício e acordemos em pânico, sacudidos por um pesadelo.

Pode ser um exercício interessante observar o período menstrual para confirmar se a pesquisa faz sentido. Mas por mais atentas que estejamos àqueles dias, não vamos deixar de olhar o pesadelo como um aviso que o inconsciente nos manda para que despertemos, para que prestemos atenção a algo que por alguma razão já se desencaminhou dentro ou fora de nós.



segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Histórias que o inconsciente nos conta

Você já acordou muito perturbado por causa de um sonho que lhe tirou o sono o resto da noite? Ou, ao contrário, despertou com a sensação de flutuar, só porque as imagens deixadas pelo sonho levaram você muito perto do Paraíso? Certeza que sensações assim estão registradas na sua memória, porque todo mundo já foi assombrado alguma vez por um sonho inquietante, ou já ficou “perseguindo” ao longo do dia aquela historinha (tão boa!) que o sonho contou.
Porque é mais ou menos assim que o sonho acontece: uma história que o inconsciente nos conta, bem lá do jeito dele. E é tão do jeito dele que, ao acordar, tem-se a impressão que vivemos uma piração, uma viagem, que normalmente provoca um comentário típico: “nossa, tive um sonho tão esquisito!”
E eles são mesmo esquisitos. Para entender por que a linguagem onírica é tão única e, em princípio, indecifrável, é preciso saber que os sonhos brotam do inconsciente mais profundo, um território distante da consciência do ego, que só enxerga o aqui e agora e para quem pão é pão e queijo é queijo.
Quando o inconsciente está escrevendo suas cartinhas para nós (como diz Marie Louise von Franz, psicoterapeuta e discípula de Carl Jung), o pão pode ser muito mais (um símbolo de nutrição, o que sacia todas as fomes, o que me leva a confraternizar e a agregar), e o queijo... ah, o queijo! Outro tanto mais. E tudo tem que ser percebido no contexto do sonhador: o pão já estava pronto? Alguém amassava o pão? Ou você comia o pão? Quanta coisa se pode questionar a partir de um pão!
Por isso os sonhos nos confundem, Eles encerram uma mensagem que diz respeito ao sonhador, que só fará sentido para ele, e assim mesmo se ele conseguir se livrar das “traduções” imediatas e confortáveis do ego e dedicar-se a desvendar o quebra-cabeças para o qual está sendo convidado. Nada de “sonhei com pão então vou receber uma herança”, desviando por uma rota pobre e muito aquém dos tesouros que o inconsciente guarda.
Na madrugada seguinte a ter iniciado esse texto, tive um sonho que ilustra bem quão simbólica é a mensagem do inconsciente. E faço questão de contar aqui porque ele veio para me ajudar a concluir esse “parto” de palavras e idéias.

Estou em uma rua de Londres (onde moram meu filho e minha nora), com meu filho e mais algumas pessoas. Sabemos que Dani vai dar à luz e estamos esperando. Não sei onde ela está, exatamente, mas sei que está por perto. Olho pela vitrina de um bar e há uma mulher cantando. Não ouço a música, mas sei que ela está cantando. Penso: “se fosse eu a cantar, certamente faria mais sucesso, porque cantaria música brasileira”. Nisso, ouvimos um chamado ou um gemido de Dani e sei que é a hora. Entro em uma casa, e estou em uma escada, porque sei que ela está no andar de cima. A passagem é muito estreita para eu chegar em cima, mas consigo me espremer e chegar lá. Dani está meio de cócoras, meio curvada. Ela usa um vestido longo, com estampa floral delicada, muito jovem. Eu me coloco por trás dela, recosto seu corpo no meu e vou fazendo com que relaxe, com que respire melhor. Eu passo a mão sobre a sua barriga redondinha e vou conversando com o bebê: “pode vir, não tenha medo... está tudo bem... seu papai espera por você”. E por sob o vestido dela vejo uma mistura de bracinhos e perninhas despontando. Acordo, ofegante de emoção, às 3 da manhã!

Um parto! Finalmente, de dentro de mim, algo podia “nascer”!
Mas para você entender porque tem a ver comigo e com o meu momento um sonho que traz uma rua de Londres, uma cantora que eu podia superar na sua arte, uma nora grávida e um parto, finalmente... espere até a próxima quinta-feira. Convido você a passear comigo pelo mundo dos sonhos, mensageiros que acompanham a história do homem desde que um dia ele abriu os olhos neste mundo.